O que um bebê faz na escola?
Um bebê chega e todos os olhos atentos se voltam a ele,
pequeno e curioso. Constrói um laço com o outro e, nessa construção, também
valida o laço antes construído com a família, sabendo que é concreto esse
vínculo e permanece mesmo quando afastado. Precisa ser cuidado, olhado,
amparado, acolhido e, de pouquinho em pouquinho, entende que é bom. A saudade
aperta, mas veja só, existem coisas novas em um mundo até então desconhecido.Os dias passam, o acolhimento é contínuo e já se pertence a esse lugar. Tem um berço, pessoas de referência, encontra sua foto e lhe chamam pelo nome. Os dias caminham com aquela mesma curiosidade do início, mas com cada vez mais segurança e noção sobre esse lugar que habita. Conhece espaços, descobre possibilidades em cada um deles, cuida disso que é dele também e acompanha as transformações (um parque que molha com a chuva, uma amoreira que alimenta na primavera, a sanfona recebendo a segunda-feira e o violão que deseja bom fim de semana).
Tão pertencente como se sente, se impõe e sabe que importa. Protesta pelos lugares que deseja ir, pelo que deseja investigar, se expressa e, ao caminhar das semanas, muda a expressão. Chora, sorri, balbucia e fala. Muda a forma como se coloca nesse mundo também: rola, senta, engatinha, anda e uau! quanta coisa para ver!
Sabe para qual colo recorrer se precisar de aconchego, sabe dos processos cotidianos que contemplam seu corpo e se coloca ativo nas trocas de fraldas, alimentação, descanso…
Encontra com o outro e se desencontra. Investiga como quem repara uma figura cativante, misteriosa e que convida à experiência.
Está em um coletivo e precisa esperar, mas também, assiste os outros esperarem quando é a sua vez.
Ao chegar, às vezes estende os braços à educadora, às vezes gruda na família. Na hora de ir, corre para quem o busca ou olha com olhos que dizem: podemos ficar mais um pouco aqui?
Conhece a matéria, os materiais e a materialidade. Crava uma bandeira com seu nome nessa sociedade. Dúvida que o mundo é mundo e depois, entende que o mundo é mundo.
Tem dias mais difíceis, outros que são moleza. Cada dia uma eternidade de vida que se revela. E reconhece as pessoas que são parte do cotidiano e busca conversa: na janela, na passagem do corredor, no caminho para o parque. “É você quem prepara minha comida?”, “é você quem me recebe no portão?”. E vê que cuidam da mesa limpando-a com um pano e busca por tudo que pareça um pano, no mesmo movimento de cuidar.
E se percebe nas paredes e escuta o riso, o choro e a conversa das outras crianças que também estão crescendo nesse pedaço de mundo.
Hoje precisou de mais colo e por isso teve, mas amanhã não precisará.
Comentários
Postar um comentário